Beatles in Wonderland

A versão de Alice no País das Maravilhas feita por Tim Burton se aproxima da estréia e é hora de você descobrir que no mundo encantado dessa menina tem muito mais #beatlesfacts do que você imagina. O novo filme já tem alguns #beatlesfact anunciados, como o fato de algumas jóias usadas no filme terem sido desenhadas por Stella McCartney, a filha de Paul; o de Johnny Depp ter tido uma banda cover de Beatles; e Anne Hathaway (a Rainha) ter feito uma serenata  pro namorado tocando Blackbird.

Mas o conto original de Alice é muito mais ligado aos Beatles que essas primeiras notícias. É de autoria de um tal de Charles Lutwidge Dodgson. Nunca ouviu falar nesse cara, né? Mas o pseudônimo deste autor é bem mais famoso para nós: Lewis Caroll. E é a partir daí que entram diversos #beatlesfacts na história toda.

John Lennon era um grande fã do Lewis Carroll. Tanto é que o poeta figurou entre seus escolhidos para aparecer na capa do Sgt. Pepper. John também gostava muito de escrever rimas e ,quando publicou seus dois livros de poesia, “In His Own Write” e “A Spaniard in the Works”,  ainda nos anos 60, era visível a influência do estilo do ator em suas poesias.

Tudo começa com  “Alice’s Adventure in Wonderland”, um livro de poesias escrito por Caroll e publicado em 1865. Sua continuação,  “Through the Looking-Glass and What Alice Found There”, de 1871, foi a que mais influenciou a cabeça de John Lennon. É legal agora entendermos a história disso tudo, porque “Alice no País das Maravilhas”, como conhecemos hoje, é uma miscelânea dos dois.

Caroll escreveu o primeiro livro a pedido de uma menina muito amiga, Alice, a qual tinha levado para um passeio inesquecível, com as duas irmãs dela. Ao atender ao pedido da garota, o autor encheu de fantasia tudo o que eles haviam vivido naquela viagem. Seu trabalho foi tão primoroso que acabou sendo publicado e tornou-se um sucesso instântaneo por todo o mundo. Em Nova Iorque, quem publicou o livro foi a editora Appletown (“Apple”? Opa, um #beatlesfact ocasional!)

A estória deste primeiro livro é a maior parte da qual conhecemos hoje em dia. O coelho branco passa correndo, Alice corre atrás, chega numa sala em que a porta era grande demais para ela… e  assim vai. É só na continuação do livro porém que aparecem personagens famosos hoje em dia, como os Tweedle-Dee e Tweedle-Dum. São eles que vão contar a Alice uma história cujo personagem você já ouviu falar:

(The Walrus and The Carpenter)

(A Morsa e o Carpinteiro)

(…)
As Ostras gritaram: “Vão nos devorar?
Não façam! Piedade!
Nós somos amigas! Não podem matar
Depois da conversa e passeio: é maldade!” –
E a Morsa responde, com sinceridade:
“Gostaram da visita não foi?”
(…)
“Chorei por vocês” – a Morsa falou –
“Com profunda simpatia”.
Aos soluços, fungando, ela devorou
As ostras maiores que via! –
E, nos intervalos, seu lenço trazia
E secava suas Lágrimas!
(…)
“Ostrinhas queridas” – falou o Carpinteiro –
“Pra mim este dia foi muito feliz!
E, agora, voltemos pra casa ligeiro!…”
Mas nenhuma resposta se escuta ou se diz –
Aquelas que o bom Carpinteiro não quis,
Foram todas comidas pela Morsa primeiro!…

– Eu gosto mais da Morsa – disse Alice -, porque dá para ver que ela estava com um pouquinho de pena das pobres ostras.
– Mas ela comeu muito mais do que o Carpinteiro – disse Tweedledee – Na verdade, ela estava colocando o lenço em frente ao rosto para que ele não pudesse contar quantas ela comeu!
– Mas isso foi uma coisa muito mesquinha! Então eu gosto mais do Carpinteiro! – disse Alice indignada.
– De jeito nenhum! Ele comeu todas as ostras que conseguiu pegar! – disse Tweedledum.
– Pois muito bem! Eram AMBOS pessoas muito desagradáveis!

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Lembra desse momento no desenho da Alice feito pela Disney?

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John apreciava muito este poema e usou-o como inspiração para a inesquecível “I Am The Walrus”. Ele não pretendia colocar nenhum sentido ideológico na letra, a morsa é apenas uma das diversas referências que ele apenas junta para construir a música. Mas anos mais tarde, John deu uma declaração engraçada para a revista Playboy, que mostra como tudo poderia ter sido bem diferente.

” (…) É de ‘The Walrus and the Carpenter.’ ‘Alice in Wonderland.’ Para mim, este é um lindo poema. Nunca percebi que Lewis Carroll estava criticando o sistema capitalista. Nunca me aprofundei no que ele queria dizer com isso, como as pessoas vem fazendo com os Beatles. Mais tarde, eu refleti e percebi que a Morsa era o vilão da história e o Carpinteiro era o mocinho. Eu pensei ‘droga, escolhi o cara errado. Eu deveria dizer ‘I am the carpenter’. Mas aí não seria a mesma coisa, né?…’

A morsa de Caroll ainda volta a aparecer na música dos Beatles em “Glass Onion”, porém  mais uma vez sem nenhum profundo sentido. O verso “Here’s another clue for you all, the Walrus was Paul” é apenas para confundir ainda mais a cabeça daqueles que buscavam encontrar sentidos nas letras absurdas de John.

Alguns ainda suspeitam que Paul McCartney teria se inspirada na letra de “The Lobster Quadrille”, um dos atos de Alice, ao compôr “Helter Skelter”, já que a letra dessa é “Will you, won’t you, will you, won’t you, will you, won’t you join the dance?”. Mas, sinceramente, eu já acho que isso é catar pêlo em ovo.

Franz Ferdinand – The Lobster Quadrille

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UPDATE: Graças à Daniele (tem twitter, Dani?), entra mais um #beatlesfact para a lista. A namorada mais famosa de Paul, Jane Asher, tem uma longa história com Alice no País das Maravilhas. Ela interpretou a própria Alice em 1958, na sua estréia em teatros, na Oxford Playhouse. Depois, voltou  em 1985, para ser a mãe da verdadeira Alice, aquele que conheceu Lewis Caroll, no filme Dreamchild. Ainda tem um AudioBook, lançado em fita-cassete em 1994, com a voz dela, que está à venda na Amazon.

Ela aparece aos 00:54 do trailer

Galera, para fazer este post tive que traduzir diversos sites e pesquisar em bastante referências. Espero que as informações estejam todas certas, ou pelo menos o mais próximo da realidade possível. Encerramos o post então com um último #beatlefact que não dá para negar. Em 1985, o produtor Allen refilmou os dois livros de Alice para uma minissérie na TV britânica. O elenco tinha muitas estrelas como Telly Savalas, Sammy Davis Jr. e Natalie Gregorie. E adivinha quem fazia a Tartaruga?

Ringo Starr – Nonsense

Tadinho dele!

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Gostou deste? Então descubra os #beatlesfacts presentes nas novelas, no Oscar 2010 e até no Big Brohter.

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16 Respostas para “Beatles in Wonderland

  1. AAAAAAH, amo tim burton, amo franz ferdinand amo alice e nem precisa citar os beatles, né? enfim, lindo *-* e bastante interessante. Admito que nem pensei em ligações entre os “dois” 😛

  2. Ótimo texto, João! Parabéns e obrigada pelsa pesquisa. Eu penso que Beatles tem a ver com tudo e tudo tem a ver com Beatles.

  3. Adorei! Sou super fã tanto dos beatles como de alice e adorei saber de tudo.
    Tá fazendo um ótimo trabalho :*

  4. Outro #beatlesfacts:
    A primeira versão adaptada para o cinema de Alice foi protagonizada pela Jane Asher(ex do Paul), quando ela tinha 12 anos

  5. O Ringo de tartaruga acabou com o restinho de “imagem” que eu tinha dele.Porra,Ringo!

  6. Mais um #beatlesfact
    A música Any Road, do George Harrison, tem uma passagem de Alice: “If you don’t know where you’re going, any road can take you there”… foi o que o gato de Cheshire disse a Alice na história 🙂

  7. Adorei ler esta matéria.Parabéns pela pesquisa!

    Há tb um filme chamado Alice Através do Espelho. Passou uma vez na tv Record. Não vi inteiro. Lembro-me vagamente da cena do homem-0v0. Onde eu poderia conseguir esse filme?

  8. Alice in Wonderland é demais! Estou esperando muito o filme…

    E com uma pitada de Beatles, ainda…!

  9. Texto incrível, João! Vocês são muito bons!
    Relacionar os Beatles com outras coisas parece que faz com que eles estejam mais presentes em nossas vidas. Faz com que eles transcendam.

    No entando, devo mencionar que a palavra “estória” caiu faz um bom tempo. Agora usa-se só “história” mesmo.
    Só uma besteirinha. O texto está muito bom!

  10. Nossa,ótimo trabalho de pesquisa pessoal! hauhauah Amo Alice,e não fazia nem idéia da história de The Walrus! Adorei,e ri demais com o Ringão de Tartaruga,esse homem pode ser tudo! hauhauah

  11. Oi pessoal, que bom que eu pude ajudar vocês, o post Beatles/Alice ficou ótimo!

    P.S.: twitter.com/Dani_Fontenele
    vê lá eu sigo vcs

  12. Tinha que ser o Ringo mesmo pra fazer a tartaruga! hehe

  13. I don’t normally post to blogs but I enjoyed this post so keep up the good work.

  14. Olá,
    Sobre os audiobooks, tem um lugar muito legal para encontrar audiobook http://www.tempolivro.com.br
    Tem vários títulos lá!
    Abs,
    Rodrigo

  15. Parabéns pela matéria! Alice pra mim, é tudo. Beatles pra mim, é tudo. Juntando as duas coisas, minha vida está completa! Haha *-*

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