A história do brasileiro que teve aula com Paul

Formado na instituição criada pelo ex-beatle, Luis Santos, músico curitibano, vê a composição de trilhas sonoras como meta

O que você faria se tivesse um encontro de meia hora com Paul McCartney? E, de quebra, ouvisse o ex-baixista dos Beatles tocar “Please Please Me” ao violão de maneira intimista, em uma pequena sala? Luis Santos, de 23 anos, teve seu momento em 2006. “Acho que todo mundo fica meio bobo nessa hora. Pensei em tudo o que ele significa e nas décadas de fidelidade à música”, relembra o músico curitibano, formado em julho de 2009 na Liverpool Institute for Performing Artists (Lipa), universidade criada por McCartney em 1995.

O encontro foi fruto de uma aula de composição. Com mais dois alunos na sala, dividiu o mo­­mento único. E os adjetivos comumente ligados a Paul foram enfatizados por Santos – “diplomático, aberto, justo”. “Ele gosta de fazer com que as pessoas se sintam bem quando estão com ele”, diz o jovem – que confessa ter John Lennon como beatle favorito. “Ele é tranquilo e brincalhão. Parece até uma pessoa normal”, brinca.

Filho do guitarrista da banda Mojo Blues, que frequentemente se apresenta no Hermes Bar, Santos, de férias no Brasil, tem ligação íntima com a música desde os 11 anos. Foi quando ouviu um primo tocar o riff de “Come as You Are”, música da banda norte-americana Nirvana. Bastou. “Preciso aprender esse negócio”, disse o garoto.

Foi matriculado, então, em uma escola de música: cinco anos de violão erudito e, em casa, lições de guitarra com o pai. Passo importante rumo ao seu destino internacional foi a viagem de intercâmbio ao Canadá, onde fez curso de Tecnologia Musical. “De repente eu levo jeito para isso”, pensou. Levava. Da instituição, recebeu o certificado de “compositor promissor”. “Voltando, pensei: será que faço universidade de música? Mas aí fiz publicidade não sei porque”, diz o músico, envolto em guitarras e violões.

A busca por uma perspectiva diferente, facilitada pela cidadania austríaca da família, fez com que Luis, sua mãe, irmão e padrasto embarcassem para a Europa em 2005. Não havia um caminho certo a seguir, a não ser a crescente ideia de fazer da música, profissão.

Pesquisas na internet o levaram até a universidade em Liverpool – o prédio era onde funcionava o extinto Liverpool Institute High Scholl for Boys, colégio de ensino médio onde estudaram Paul Mc­­Cartney e George Harrison.

Depois de passar algum tempo na cidade de Leeds, fazendo bicos em restaurantes e bares, mantinha seus contatos definitivos com a instituição. Em abril de 2006, foi chamado para uma entrevista, na qual executou duas obras. Uma delas foi “Gente Humilde” – tema do violonista paulista Garoto que ganhou letra de Chico Buarque – e uma música de sua autoria. Não precisou esperar muito para uma carta chegar em sua casa, avisando que ele havia sido aprovado. “Foi a confirmação de tudo que o que fiz valeu a pena”, conta Luis.

O curitibano participou de vários projetos musicais. Um deles foi o Electric Church Foundation, grupo de rock experimental. “Perguntávamos se queríamos tocar em eventos religiosos”, brinca. A banda durou cerca de três anos e fez shows por toda a Inglaterra e em vários festivais pela Europa. Seu projeto atual é o duo Irishman in Brazil, que se apresenta na próxima quinta-feira (28) no Slainte Irish Pub.

E a inegável verve do curitibano – quando toca, seja Baden Powell ou Jamiroquai, o instrumento realmente é parte integrante de seu corpo – deverá ganhar o mundo de outras formas. “Minha ideia é trabalhar com a mídia. Fazer músicas para filmes, games, televisão”, explica. As vinhetas da TV UFPR, por exemplo, já terão música nova ainda neste ano. Músicas de um curitibano que acredita mais no esforço e nas oportunidades da vida do que propriamente no talento. Músicas de “um cara normal” que conheceu Sir Paul McCartney, outro “cara normal”.

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