A batera do Ringão faz 100 anos!

Calma, não é que Ringo tenha herdado o instrumento do avô dele não! É que a marca Ludwig, que deve muito de seu prestígio ao Fab Four, está chegando aos 100 anos, como lembrou Luiz Fernando, da Comunidade Beatles Brasil no orkut.

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Em homenagem à data aqui vai breve explicação sobre a história da marca:

William F. Ludwig, Senior, nasceu na alemanha em 1879. Aos oito anos de idade ele se mudou com sua família para os Estados Unidos. Seu pai era músico, tocava trombone, mas a promessa de encontrar trabalho em Chicago pareceu algo totalmente remoto assim que chegou na América.  Mas o amor dos Ludwig pela música não foi abalado pelas dificuldades. E foi durante um desfile do primeiro regimento da guarda nacional de Illinois que o pequeno William teve certeza de que queria ser um baterista.

Pode parecer estranho, mas ele não obteve apoio de seu pai, que insistia que ele deveria se dedicar ao estudo de instrumentos como o violino e o piano já que, segundo ele, a bateria não era algo para ser levado a sério. Mas ao ver que o filho não conseguia nenhum progresso, meio que a contra gosto, comprou um kit de segunda mão para William. Muito diferente dos instrumentos harmônicos, o garoto obteve um sucesso quase que imediato com os tambores, que lhe renderam o lugar de baterista em algumas bandas amadoras.

E o início da Ludwig Drum Company aconteceu em 1908, durante uma apresentação de Ludwig no Auditorium Theater em Chicago. Seu pedal de madeira era de qualidade muito baixa e não atendia às rigorosas batidas sincopadas do jazz. Por conta disso, ele foi atrás de um pedal que fosse satisfatório em algumas lojas de instrumentos musicais, só que não encontrou nada que o agradasse.

Como Ludwig era uma pessoa extremamente perseve rante e costumava achar uma criativa saída para quase todos os seus problemas, ele mesmo confeccionou um pedal de madeira, capaz de ser usado com sucesso em músicas com andamentos mais rápidos sem perder força ou volume. Nem é preciso dizer que virou o objeto de desejo de qualquer baterista local. O cunhado de Ludwig, Robert C. Danly, botou uma fé naquele produto e quis investir em uma produção em massa do pedal só que, em vez da madeira, eles usariam metais mais duráveis. E em, 1910 os dois montaram a Ludwig & Ludwig.

Em 1973, William F. Ludwig veio a falecer, sendo sucedido por William F. Ludwig Jr. Em 1981, as Indústrias Ludwig foram compras pela Selmer Company.

Conhecida mundialmente pela qualidade de seus instrumentos de percussão, a Ludwig ganhou notoriedade entre os fãs da música quando foi escolhida por Ringo Starr (Beatles) como sua bateria preferida. Desde então, a Ludwig também foi escolhida por artistas como Alex Van Halen, Alan White (Yes), Roger Taylor (Queen), Tre Cool (Green Day), Mel Gaynor (Simple Minds), James Murphy (LCD Soundsystem), Matt Sorum (Velvet Revolver), dentre muitos outros.

FONTE1 e FONTE2

E como nosso papo é Beatles, segue aqui a duradoura relação de amor entre Ringão e sua Ludwig:

Desde antes até entrar nos Beatles, o kit que Ringo usava era um Premier. Com o aumento do sucesso da banda o desejo de obter novos equipamentos foi crescendo. Viajando frequentemente para Londres, era difícil resistir à tentação quando visitavam as lojas de instrumentos. Em 12/05/63 Ringo recebe sua primeira Ludwig – considerada o “Drummer’s Dream” – o Sonho dos Bateristas.

A “Drum City“, de Londres, era uma loja bastante moderna para a época sendo a primeira a comercializar exclusivamente baterias. Ivor Arbiter, seu proprietário, num dia no final de abril de 1963, recebeu um telefonema da loja dizendo que alguém chamado Brian Epstein estava lá acompanhado de um baterista e queria comprar um instrumento, mas queria negociar um pouco. Eles foram conduzidos ao seu escritório e lá Ringo disse que queria uma bateria Ludwig preta. Isso era impossível já que não existiam baterias pretas dessa marca. Ringo então viu em cima da mesa de Ivor umas amostras de acabamento.

Ao ver a amostra do “Oyster Black” disse: “Quero esta!”. Não foram discutidos muitos aspectos técnicos como sonoridade – o kit foi escolhido pela cor. O kit comprado foi um com bumbo de 20″, bem menor que os normalmente usados na época mas foi escolhido para que Ringo parecesse maior, pratos Paiste e peles Ludwig “Weather Master”. (Na foto, Ringo recebe uma Ludwig das mãos do próprio Ludwig Jr.)


Mas o mais importante desse dia é que foi quando o logotipo “The Beatles” foi criado por Ivor Arbiter. Ele fez um rascunho num papel de carta e criou o logotipo conhecido mundialmente. Arbiter nunca lucrou nada com sua criação.

Na primeira viagem para os EUA, Ringo comprou outra Ludwig de 20″ em New York, praticamente igual à primeira. Foi entregue em 09/02/64.

Tinha levado com ele apenas os pratos, a caixa e uma nova pele frontal. Comprou a bateria inteira mas nas fotos que ela aparece nota-se o bumbo, o tom-tom e o surdo com peles novas e a caixa com uma pele bem usada. Os pratos também são obviamente usados. É o kit das apresentações no Ed Sullivan Show e dos shows em Washington DC e no Carnegie Hall.

De volta à Inglaterra, em maio do mesmo ano, um novo kit passa a ser usado – agora um Ludwig com bumbo de 22″. Esse kit se transformaria no seu principal instrumento entre 1964 e 1968, tanto ao vivo quanto no estúdio. Mais confiante em seu sucesso, adotava agora uma bateria com tambores maiores apesar de sua pequena estatura. Famoso, agora era muito maior que seus tambores…


Um ano depois um outro kit seria adicionado ao seu acervo, outra vez um Ludwig de 22″ praticamente idêntico ao anterior.

Com ele veio o Drop-T n°5.

Nas turnês de 1964 foi usado o primeiro kit de 22″ com o logo Drop-T n°4. Nas de 1965 é usado o segundo kit de 22″com o logo Drop-T n°5. Nas de 1966 ele voltaria a usar o primeiro kit de 22″ mas com um novo logotipo, o Drop-T n°6. É com esse que Ringo toca no Candlestick Park, a última apresentação ao vivo dos Beatles.

Com a suspensão das turnês Ringo usaria no estúdio, virtualmente em todas as gravações, o Kit n°3. É quase certo que todas as músicas gravadas dos álbuns “Revolver” ao “Álbum Branco”, foram gravadas com esse kit e usando o DropT n°6.

Com o projeto “Let It Be” chega um novo kit Ludwig totalmente diferente dos anteriores. O modelo “Hollywood” agora tem cinco peças, apresentando dois tom-tons. E pela primeira vez Ringo não escolhe o acabamento “Black Oyster Pearl” que era sua marca, preferindo desta vez o “Natural Maple”.

Uma nova pele frontal foi preparada, com o Drop-T n°7, mas nunca foi usada. O fato de que não mais se apresentariam ao vivo somado ao hábito comum de não usar a pele frontal ao gravar a bateria, levaram ao seu abandono. O kit foi usado nos álbuns “Let It Be” e “Abbey Road”.

Ringo ainda possui os kits n°2, n°3, n°4 e o Hollywood, assim como a caixa e o tom-tom do kit n°1.

FONTE

E com a chegada do Rock Band: The Beatles e seus istrumentos réplicas dos originais, claro que a batera Ludwig do Ringão não poderia ficar de fora! Ganhou um design meio de diferente do original, claro, até porque ia ficar meio difícil replicar a complexidade do instrumento e ainda transformá-lo num controle de vídeo-game. Mas o que vale, e muito, é a intenção, certo?

Então parabéns para a aniversariante, a responsável pelas Beats perfeitas que tanto gostamos do fab Four!

Site Oficial: http://www.ludwig-drums.com/

Twitter: http://twitter.com/ludwighq

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Uma resposta para “A batera do Ringão faz 100 anos!

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