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Magical Mystery Tour: canções extraordinárias e um filme nonsense

Após o lançamento de “Sgt. Pepper’s”, os Beatles viajaram para a Bangor, onde o guru Maharishi Mahesh Yogi dava uma palestra sobre meditação transcendental. Foi lá que receberam a notícia de que Brian Epstein, empresário da banda, havia morrido por overdose de Carbitol, um remédio usado para insônia. Esse acontecimento mudaria completamente os rumos da banda, como veremos daqui pra frente. Brian estava com os Beatles desde o início e era ele quem tomava conta de todos os negócios. De uma hora pra outra, eles estavam sozinhos, tendo que tratar de contratos e acordos que até então, eles nem sabiam da existência.

Em setembro de 1967, os Beatles se reúnem para que fosse decidido o próximo trabalho e decidem seguir a ideia de Paul McCartney para um novo filme. Em 05 de setembro começam também a gravação de “I Am the Walrus”.

Paul McCartney havia pensado no projeto de um filme voltado para a TV, ainda em abril de 1967, enquanto estava em um vôo pra os Estados Unidos. A ideia era colocar os Beatles dentro de um ônibus com várias outras pessoas desconhecidas, em uma viagem pelo interior da Inglaterra; enquanto tudo era filmado praticamente sem um roteiro. Durante esse passeio, considerado “mágico e misterioso” pelos seus organizadores, algumas músicas dos Beatles seriam apresentadas. Além de protagonistas, os Beatles ainda produziram e dirigiram o filme que teve seu lançamento em 26 de dezembro de 1967, no canal BBC.

Após a estréia, o filme foi tão criticado que uma segunda exibição foi adiada. A crítica e o público odiaram o filme, pela quantidade exagerada de piadas internas, que só a banda entendia e pela ausência total de um enredo que ligasse o filme à trilha sonora. Além disso, o filme foi exibido em branco e preto, apesar de ter sido filmado colorido. Era a primeira vez que os Beatles recebiam duras críticas.

Apesar de o filme ter sido um fracasso, a trilha sonora mostrava os Beatles em alta. A qualidade das canções provava que a banda ainda era ótima naquilo que sabiam fazer de melhor: compor e gravar.

Para o filme, 6 músicas foram compostas, sendo 4 de Lennon e McCartney, 1 de George e o primeiro instrumental lançado pela banda, composto pelos quatro. As canções mostravam ainda uma continuação do experimentalismo de “Sgt. Pepper’s”, dando continuidade à fase psicodélica dos Beatles.

Na Inglaterra, o álbum foi lançado originalmente em 8 de dezembro de 1967, como um EP duplo, contendo apenas as canções do filme: “Magical Mystery Tour” / “Your Mother Should Know” / “I Am the Walrus” / “The Fool on the Hill” / “Flying” / “Blue Jay Way”.

Nos Estados Unidos, o lançamento foi em 27 de Novembro de 1967, no formato de LP, contendo a trilha do filme no lado A e uma coletânea de singles de 1967 no lado B. Mais tarde, em 1976, o LP foi lançado em outros países e o disco com 11 canções passou a fazer parte da discografia oficial.

O EP original chegou ao 2º lugar nas paradas britânicas em 03 de janeiro de 1968. Só não conseguiu desbancar o single “Hello Goodbye” / “I Am the Walrus”, que já havia sido lançado antes da trilha do filme. Já o LP americano atingiu a maior vendagem de um disco até aquela data, chegando ao 1º lugar em 06 de janeiro de 1968 e permanecendo nesta posição por 08 semanas.

Muitos colecionadores ainda consideram o disco “Magical Mystery Tour” como uma coletânea de singles e não um lançamento oficial. Mas isso é o que menos importa. As 11 faixas mostram os Beatles em plena forma, esbanjando criatividade e competência.

Magical Mystery Tour – (Lennon/McCartney)
Gravação: 25, 26, 27 de abril, 03 de Maio e 07 de novembro de 1967

Composição de Paul para a abertura do filme. Boa parte da canção foi gravada antes mesmo do lançamento de “Sgt. Pepper’s”. Os sopros foram feitos por músicos contratados e os backing vocals tiveram a velocidade alterada. Paul toca piano, além do contra-baixo.

The Fool on the Hill – (Lennon/McCartney)
Gravação: 25, 26, 27 de setembro, 20 e 25 de outubro de 1967

Outra grande balada de Paul, que além de cantar, também toca piano. Diz a lenda que Paul passeava com sua sheepdog Martha e seu amigo Alistair Taylor, quando encontrou um homem de casaco de chuva que comentou com ele sobre a vista de uma montanha. Ao menor descuido de Paul, o homem sumiu misteriosamente. Este acontecimento serviu de inspiração para a música. As flautas da gravação foram feitas por 3 músicos contratados.

Flying – (Lennon/McCartney/Harrison/Starr)
Gravação: 08 de setembro de 1967

A primeira canção instrumental da discografia oficial dos Beatles leva o nome dos 4 integrantes. Originalmente chamada de “Aerial Tour Instrumental”, a canção conta com mellotron, guitarra, baixo, maracas e bateria. Mais tarde ainda foram acrescentados os loops de fitas em overdub.

Blue Jay Way – (Harrison)
Gravação: 06, 07 de setembro e 06 de outubro de 1967

Canção composta por George Harrison enquanto esperava seu amigo Derek Taylor chegar a um chalé que eles haviam alugado na Califórnia, numa rua chamada “Blue Jay Way”. Na gravação, foram acrescentados alguns efeitos na voz de George, no órgão, tocado por Paul e na bateria de Ringo. Os sons estranhos que aparecem ao longo da canção são trechos da mesma música, tocados de trás para frente. O Cello foi tocado por um músico contratado.

Your Mother Should Know – (Lennon/McCartney)
Gravação: 22, 23 de agosto e 29 de setembro de 1967

Composição de Paul, que além de cantar, também toca piano. A canção teve boa parte de sua gravação nos estúdios Chappell.

I Am the Walrus – (Lennon/McCartney)
Gravação: 05 ,06, 27 e 29 de setembro de 1967

Uma das melhores composições de John Lennon, que se inspirou no barulho de uma sirene que passava em frente à sua casa. É ele quem toca o mellotron. Um excelente trabalho também de George Martin, que mais uma vez, mostra seu entrosamento com a banda, abusando dos efeitos no vocal, mistura de conversas (feitas pelo grupo “Mike Sammes Singers, que também participam do coro no final), trechos de rádio (frases de “Rei Lear”, de Sheakespeare, que foi transmitido pela rádio BBC), além de 12 músicos contratados para as cordas. O resultado é uma das mais psicodélicas canções dos Beatles.

Hello, Goodbye – (Lennon/McCartney)
Gravação: 02, 19, 20, 25 de outubro e 02 de novembro de 1967

Lado A do single com “I Am the Walrus”, que chegou ao topo das paradas em 06 de dezembro e não deixou que o EP da trilha do filme passasse do 2º lugar. A canção composta por Paul não foi incluída no filme e entrou no lado B do disco. Os violinos foram tocados por músicos contratados.

Strawberry Fields Forever – (Lennon/McCartney)
Gravação: 29 de novembro, 08, 09, 10, 21 e 22 de dezembro de 1966

Integrou o single de dois lados “A” (com “Penny Lane”), lançado antes mesmo de “Sgt. Pepper’s”. A canção composta por John enquanto participava das filmagens de “How I Won The War” foi inspirada em um abrigo do Exército da Salvação, localizado em Liverpool, numa rua bem próxima à casa em que John morava com sua tia “Mimi”. Em sua infância, John Lennon costumava brincar no local e a música lembra esses momentos. A canção contou com várias tomadas, feitas em ocasiões diferentes. John não se contentava com o resultado das gravações, até que decidiu juntar as duas tomadas que mais tinha gostado. George Martin foi o responsável por toda a produção, tendo que acelerar uma tomada e reduzir a velocidade de outra, para que as duas se encaixassem, dando esse resultado que conhecemos. O mellotron é tocado por Paul, enquanto George Harrison toca a tabla harp. Paul e George ainda tocam um tímpano. Músicos contratados tocam as cordas e os sopros.

Penny Lane – (Lennon/McCartney)
Gravação: 29, 30 de dezembro de 1966, 04, 06, 09, 10, 12 e 17 de janeiro de 1967

Composição de Paul que integrou o single com “Strawberry Fields Forever”. A letra fala de uma rua que Paul costumava passar na sua infância. As cordas e os sopros foram gravados por músicos contratados e Paul toca o piano. Apesar de George Martin considerá-lo o melhor single dos Beatles, o lançamento não passou do 2º lugar.

Baby You’re A Rich Man – (Lennon/McCartney)
Gravação: 11 de maio de 1967

Lançada originalmente como o lado B do single com “All You Need Is Love”, a canção mistura duas composições diferentes; uma de John e outra de Paul. Mais uma vez, não foram usados os estúdios Abbey Road e sim os Olympic Studios. A gravação conta com Brian Jones, dos Rolling Stones, tocando oboé.

All You Need Is Love – (Lennon/McCartney)
Gravação: 14, 19, 23, 24 e 25 de junho de 1967

A canção foi escrita por John Lennon especialmente para o programa “Our World”, na primeira apresentação via-satélite, exibida em 25 de junho de 1967. Boa parte das gravações foram feitas no Olympic Studios e foi concluída no Abbey Road. O piano é tocado por George Martin e contrataram uma orquestra para acompanhá-los. Vários artistas participaram do coro. Entre eles, podemos ver Mick Jagger e Keith Richards (ambos dos Rolling Stones), Keith Moon (da banda The Who), entre tantos outros.

O disco lançado nos Estados Unidos e o EP lançado na Inglaterra vinham com um encarte contando a história do filme. Na capa, os Beatles pousam com as fantasias usadas no clipe de “I Am the Walrus”.

Considerando uma coletânea ou não, “Magical Mystery Tour” mostra uma fase intensa da carreira dos Beatles. Com canções cheias de simbolismos e referências às drogas. Um excelente trabalho da banda em parceria com George Martin e seu assistente Geoff Emerick.

Leia análises anteriores:

- Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club band

- Revolver

- Rubber Soul


Por Edcarlos da Silva


Sgt. Pepper’s – O ápice criativo dos Beatles

Em um encontro com Paul McCartney, Bob Dylan ouviu algumas músicas do novo álbum dos Beatles e comentou: “Vocês já não querem mais ser bonitinhos!”

Esta frase é a melhor introdução que se pode encontrar para falar de toda a revolução artística, política e filosófica que este novo disco foi símbolo.

O ano de 1966 foi muito confuso para os Beatles. As declarações de John sobre o Cristianismo haviam gerado muitos problemas, mesmo entre a beatlemania. Até a Ku Klux Klan estava organizando protestos e tudo isso afetou mais ainda o quarteto. Tudo isso somado à falta de segurança, de recursos técnicos para as apresentações ao vivo, mais os problemas sofridos nas Filipinas, fizeram com que os Beatles optassem pelo fim das turnês. Essa decisão gerou muitas dúvidas entre os fãs e a imprensa, que achavam que a banda tinha acabado.

Na verdade, os Beatles evoluíram muito rápido, não só musicalmente, mas o comportamento da banda já não era mais o mesmo. O uso de drogas como maconha e LSD mudou o tema das composições e aquela imagem de quatro rapazes ingênuos não interessava mais a eles. Na verdade, nem mesmo a beatlemania interessava muito aos Beatles nessa altura dos acontecimentos. O que eles queriam era falar de suas experiências. Agora, sem a correria das turnês, era possível produzir um disco com calma, usando o máximo dos recursos técnicos. Mais ainda: com toda criatividade da banda, era possível até mesmo criar novas técnicas de gravação.

Após o álbum Revolver,  a gravadora EMI lançou uma coletânea chamada “A Collection of Beatles Oldies… But Goldies!” e em 06 de dezembro de 1966 a banda entra em estúdio novamente, sob a influência de discos como Pet Souds (Beach Boys) e Freak Out! (Frank Zappa). Paul McCartney teve a ideia da criação de um álbum conceitual, onde as músicas estariam todas ligadas e seguindo um mesmo tema. Porém, a partir da segunda canção, o disco perde esta característica, embora todas as canções mantenham uma semelhança nos timbres e no estilo de produção. Todos percebiam que aquele momento era histórico e que o mundo estava passando por uma mudança cultural muito grande. Paul imaginou então, os Beatles como outra banda. A “Banda do Clube de Corações Solitários do Sargento Pimenta”. Em meio ao clima de psicodelismo e experimentação e com uma grande variedade de influências, os Beatles entram em estúdio para produzir um disco que serviria como um retrato de toda uma geração.

Tudo ali precisava ser diferente. Gravações eram comprimidas, condensadas, distorcidas ou excessivamente equalizadas para atender às exigências dos Beatles. Sons carregados de eco, fitas de gravações rodadas ao contrário e vozes e instrumentos com velocidades alteradas mostravam que algo muito revolucionário estava sendo criado.

Em 17 de fevereiro de 1967, atendendo à pressão do empresário Brian Epstein, é lançado um compacto simples (chamado de single) com duas canções que entrariam no novo disco: Strawberry Fields Forever / Penny Lane. A banda apostava muito no lançamento destas canções, tanto que lançaram como um compacto com dois lados “A“, porque achavam que as duas músicas teriam o mesmo destaque.

Apesar da grande qualidade das duas canções, o single só chegou ao segundo lugar.

Após 129 dias e aproximadamente 700 horas de gravação, as 13 canções do novo álbum estavam concluídas; agregando música indiana, jazz, sons invertidos, grandes orquestras, baladas e barulhos de animais à música pop; transformando o rock em forma de arte a ser cultuada por diversas gerações, como podemos conferir:

Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band – (Lennon/McCartney)
Gravação: 01,02 de fevereiro, 03 e 06 de março de 1967

Faixa-título composta por Paul. A canção dá a ideia de uma apresentação ao vivo, onde a banda é apresentada. O final dela serve de “gancho” para a próxima canção.

With a Little Help From My Friends – (Lennon/McCartney)
Gravação: 29 e 30 de março de 1967

Composição de John e Paul chamada originalmente de “Bad Finger Boogie”. Ringo canta, representando “Billy Shears”, que é apresentado no final da faixa anterior.

Lucy in the Sky With Diamonds – (Lennon/McCartney)
Gravação: 01 e 02 de março de 1967

Apesar de tantas controvérsias, a ideia da composição foi tirada do desenho de Julian, filho de John e as iniciais formando LSD é pura coincidência. Pelo menos é o que o próprio John garantia. Paul toca também um cravo com seu timbre modificado.

Getting Better – (Lennon/McCartney)
Gravação: 09, 10, 21 e 23 de março de 1967

Paul compôs a música inspirado na frase de Jimmy Nicol, o baterista que substituiu Ringo em alguns shows da turnê de 1964. George Harrison toca um instrumento indiano chamado Tamboura e Ringo toca bongôs. Esta canção mudaria as estruturas básicas do rock, tranformando-o em algo totalmente novo. Com sua constante guitarra, a música fala de esperança em algo novo.

Fixing a Hole – (Lennon/McCartney)
Gravação: 09 e 21 de fevereiro de 1967

Composição de Paul, que também toca cravo na gravação. A canção começou a ser gravada nos Regent Sound Studios, já que o Abbey Road estava ocupado no dia. Apesar de muitos acharem que se tratava do uso de heroína, a música fala sobre uma fazenda que Paul havia comprado recentemente e estava em reformas.

She’s Leaving Home – (Lennon/McCartney)
Gravação: 17 e 20 de março de 1967

Maior parte da composição é de Paul, embora John tenha dado uma ajuda. Só Paul e John cantam e os arranjos foram feitos por Mike Leander, porque George Martin não podia na ocasião e Paul não quis esperar. Martin declarou ter ficado chateado com Paul por isso. Muitos críticos de música comparam esta canção a grandes obras clássicas.

Being For The Benefit Of Mr. Kite – (Lennon/McCartney)
Gravação: 17, 20 de fevereiro, 28, 29 e 31 de março de 1967

A letra da música é quase toda retirada de um cartaz de 1843 que anunciava as atrações de um circo. Lennon declarou que essa composição serviu apenas para cumprir com seu trabalho no disco. Durante o processo de gravação, George Martin teve que atender ao pedido de John, que queria que determinado trecho da música tivesse “cheiro” de serragem.

Within You Without You – (Harrison)
Gravação: 15, 22 de março, 03 e 04 de abril de 1967

Única composição de George para o disco. Só ele participa da gravação, cantando e tocando cítara. Outros músicos indianos participam da gravação. A canção fala de Deus e de amor, exaltando o lado espiritual do Beatle místico.

When I’m Sixty Four – (Lennon/McCartney)
Gravação: 06, 08, 20 e 21 de dezembro de 1966

Paul tinha essa composição quase toda pronta e foi feita em homenagem ao seu pai. Os clarinetes foram gravados por músicos contratados.

Lovely Rita – (Lennon/McCartney)
Gravação: 23, 24 de fevereiro, 07 e 21 de março de 1967

Outra composição de Paul, homenageando as controladoras de parquímetros. George Martin toca o piano Honky Tonk.

Good Morning Good Morning – (Lennon/McCartney)
Gravação: 08, 16 de fevereiro, 13, 28 e 29 de março de 1967

John se inspirou em um comercial de sucrilhos. É ele quem canta. Paul faz os solos de guitarra. A banda Sound Incorporated gravou os saxofones e trombones e os sons de animais foram tirados de fitas que a gravadora tinha.

Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (Reprise) – (Lennon/McCartney)
Gravação: 01 de abril de 1967

A versão “reprise” da faixa-título tem uma pegada mais pesada e serve como um anúncio do final do show. Uma espécie de encerramento do concerto da “Banda do Clube de Corações Solitários do Sargento Pimenta”. Após essa faixa, vem o bis.

A Day In The Life – (Lennon/McCartney)
Gravação: 21 de abril de 1967

John compôs a canção inspirado numa notícia sobre os buracos de Lancashire. Seu título provisório era “In The Life Of…”. Uma orquestra com 40 músicos de estúdio surge, dando um clima de aflição que toma conta da canção. Um despertador acionado por Mal Evans interrompe a música e Paul surge com uma nova música, até que John aparece novamente e a orquestra encerra a canção, de forma ainda mais presente e parando bruscamente. O último acorde, que dura quase um minuto, é tocado em um piano a 8 mãos. Em seguida, surge a famosa nota em alta freqüência, que só cães conseguem ouvir. Após o final da faixa, uma gravação ao contrário, contendo conversas e risos, fica sendo repetida no último sulco do vinil. Isso fazia com que o ouvinte rodasse o LP ao contrário para tentar decifrar o que era dito.

Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band foi lançado na Inglaterra em 1º de junho de 1967 e nos Estados Unidos no dia seguinte, fazendo parte do início da era hippie. O disco chegou ao topo das paradas inglesas em 31 de Maio e permaneceu por 22 semanas, rendendo ainda quatro prêmios Grammy: “Álbum do ano”, “Álbum de música contemporânea” (que mais tarde passou a se chamar “Melhor álbum vocal pop”), melhor engenheiro de som (Geoff Emerick) e melhor capa.

Falando em capa…

Os Beatles já tinham uma, criada por um grupo chamado “The Fool”, formado por artistas holandeses; mas Robert Fraser sugeriu que contratassem outro profissional para a criação da capa e chamaram Peter Blake para o trabalho. Paul e John sugeriram que ele imaginasse a banda após um concerto em um parque. Com isso surgiu a ideia da colagem com artistas atrás dos Beatles, como se tivessem assistido ao show. A sessão fotográfica foi realizada no dia 30 de março com o fotógrafo Michael Cooper. Os Beatles pousaram com roupas de sargentos e dentre as pessoas famosas que aparecem na capa, estão: Marilyn Monroe, Marlon Brando, Bob Dylan, Cassius Clay, Karl Marx, dentre outros. A lista foi sugestão de Peter Blake, que pediu que cada um dos Beatles escolhessem quem iria aparecer. John Lennon queria Gandhi, Hitler e Jesus Cristo, mas foram excluídos da capa por receio da gravadora. Além disso, pela primeira vez, a contra-capa trazia as letras das canções impressas e o encarte tinha um protetor para o vinil em papel colorido e várias figuras para serem recortadas.

Vários outros artistas se inspiraram na capa de Sgt. Pepper’s. Entre eles, estão: The Rutles; o disco We’re Only in It for the Money, lançado em 1968 por Frank Zappa and the Mothers of Invention e Zé Ramalho, no album Nação Nordestina.

O pouco apelo comercial dividiu muito a opinião da crítica. Algumas músicas tiveram sua execução proibida e o disco não tocou nas rádios. Mesmo assim, vendeu mais de 11 milhões de cópias só nos Estados Unidos e até hoje o disco figura em toda lista de melhores álbuns, sendo classificado como o melhor disco pela revista Rolling Stone, na lista dos 500 grandes álbuns de todos os tempos.

Um filme estrelado por Peter Frampton e Bee Gees foi lançado em 1978, homenageando o disco Sgt. Pepper’s. Vários outros artistas participam, inclusive George Harrison e Linda McCartney.

Além de Strawberry Fields Forever e Penny Lane, que foram lançadas antes em compacto, a canção chamada It’s Only a Northern Song também fez parte das sessões de gravação, mas só foi lançada em 1969, na trilha sonora do desenho animado Yellow Submarine.

Na mesma época em que Sgt. Pepper’s era produzido, o Pink Floyd gravava seu primeiro disco, chamado “The Piper at the Gates of Dawn”, também nos estúdios Abbey Road. Por isso, esses dois discos são considerados como o marco inicial do rock progressivo.

Ainda hoje, mais de quatro décadas após seu lançamento, Sgt. Pepper’s ainda desperta curiosidade e respeito. “O álbum revolucionário“, “o disco que transformou o rock em arte”, “o divisor de águas da música pop”, enfim… cabe a cada fã definir o disco da forma que mais lhe agradar.

Leia análises anteriores:

- Revolver

- Rubber Soul

- Help!

Por Edcarlos da Silva

Please Please Me/Ask Me Why

como diria um grande amigo… o “primeiro” primeiro lugar dos Beatles está no segundo single dos Beatles gravado em 26 de novembro de 1962.
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Na verdade, neste dia foi gravado o Re-make de Please Please me, pois ela, segundo John e Paul sempre contavam, era pra ter saído ainda mais lenta que seu lado b, Ask me why! Mas a pedido de George Martin, eles criaram uma nova versão para a música. E esse pedido deu ao Fab Four seu primeiro lugar nas paradas!
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As duas músicas foram lançadas em compacto no dia 11 de janeiro de 1963.
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Essas gravações SIM tem suas versões estereo, o que aumenta um pouco a nossa história aqui no Beatle Sounds!
Poderia simplesmente se falar que a gravação é simplesmente a mesma coisa em estereo, mas não é bem assim:
Hoje nós temos vários programas com várias pistas para gravações separadas na hora que se quiser gravar, mas naquela época a coisa era praticamente AO VIVO, todo mundo tinha que gravar ao mesmo tempo em apenas duas pistas. Por isso, mesmo que haja uma dita “remasterização“, não existe por que bateria pode ter sido gravada na mesma faixa que o baixo, ou uma  guitarra base e um piano, deixando assim a guitarra solo geralmente para o mesmo canal dos vocais.
Geralmente o lado do seu ouvido em que você escuta menos instrumento era o local onde eram feitos os instrumentos adicionais. Como, no caso, a gaita de please please me!
Mas isso não quer dizer que…por você não gostar daquele estereo… porque ele, no caso dos Beatles, poderia ser até um outro take da música:
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Em ask me why não há qualquer diferença, é o mesmo take da versão mono.
Agora, em Please Please me… Temos um take mono perfeito, mas o estereo é CHEIO de diferenças:
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1 – a gaita tem um eco bastante atrasado
2 – Na última vez em que a primeira estrofe é feita, na parte “I know you never even try girl“, John confunde o inicio com a segunda parte da segunda estrofe “Why do I always have to say love“, soando “Why do i never even try girl“.
3 – vindo este “erro“, John chega para o ultimo refrão desconcertado, observe os “c’mon“, sempre me dá vontade de rir.
4 – lá pro final da música… uma das guitarras é subtamente interrompida, já no mi maior
ok, ta curioso né? então escuta aqui mesmo já que vai dar uma trabalheira pra pegar o cd agora né?

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agora… por que você não conhecia essa versão do estereo? Agora eu te respondo:
Os discos dos Beatles, principalmente os primeiros, não tiveram como primazia a idéia de ter uma mixagem estereo, tanto que no estudio, o pessoal só tinha uma caixinha somente como monitor. Mas a pedido da EMI da Inglaterra para tentar levar seus produtos/contratados para a capitol americana, o mix estereo era necessário. Mesmo eles mexendo com a gravação de novo!
Mais uma vez eles remixavam (quando havia como) e lançavam nos Estados Unidos.
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No Brasil, a música até 1972 só saiu no album Beatles Again no mix mono até vir a tona a versão estereo na coletanea The Beatles 1962/1966. Mas mesmo vindo a ordem da Emi para lançar somente os albuns em seus formatos originais a partir de 1973. Os novos mix para do “estereo” brasileiro que era o disco mono simplesmente com 2 canais (esquerdo e direto) com apenas a diferença de equalização, e , as vezes, de velocidade!
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Em 1987, um ano antes de aparecer os discos da primeira remasterização, surge um mix estereo do Please Please me! Raro, mas tão raro que eu só vi dele uma vez na vida (e cometi a besteira de vende-lo).
Aí chega o fator pra você não conhecer mais ainda:
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Nos Remasters de 1988, processo comandado pelo próprio George Martin, a ordem dele foi clara: nenhum disco com até 4 canais sairía estereo. Então temos até 2009 só a mixagem mono dos 4 primeiros discos da banda tanto no cd como na última leva de lps Brasileiros.
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Aí em 2009 finalmente voltou a circular a versão estereo… Torço eu pra sair em vinil….
Valeu gente, eu volto logo logo com mais um capítulo da história sonora dos Beatles!
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por André Katz

Raulzito e Seus #Beatlesfacts parte final

E aí pessoal, todo mundo beleza? Espero que sim. Estou aqui de volta para terminar a nossa trilogia sobre o Raul Seixas. Então… S’imbora!
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Em 1982, Raul Seixas se apresentou em um show na Praia do Gonzaga, em São Paulo, um show histórico que tem registro em disco em uma edição super limitada, mas esse disco não contém a primeira versão de uma música que se tornou clássica em seus shows dos anos 80 e até rendeu mais uma citação de Beatles no album “Panela do Diabo“:
Roll Over Beethoven pode se dizer até que é versão de Chuck Berry, mas na versão do “papai do rock”  não existe backing vocal que é feito nas versões ao vivo do Raul, feitas pelo guitarrista solo da banda e no “Panela” pelo Marcelo Nova!
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Aí, mister JW veio com uma solução: Bom, Raul pode ter se inspirado na versão do Eletric Light Orchestra do Jeff Lynne para a canção!
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Confira, é boa pacas!
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Mas pra continuar dando crédito ao fab four, eu aleguei: “e afinal, de onde o ELO se inspirou pro backing vocal?” Ponto pra Beatlemania! HAHAHAHA.
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O Segredo da Luz, do lp de 1983, sem título (mas o disco é conhecido por obter a música “Carimbador Maluco“), é muito igual ao solo de “Here Comes The Moon” de George Harrison em 1979.
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confere a do George e tire suas conclusões:
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Apesar de Raul não fazer mais parte do cast da gravadora Eldorado (a mesma do carimbador maluco), a mesma, em 1984, lança o album “Ao vivo, único e exclusivo“, O melhor registro do Maluco Beleza ao vivo (sem sombra de dúvidas, recomendo demais), um album que começa cheio de covers, e na verdade na sua primeira versão é só de covers, mas a segunda, intitulada “Raul Vivo“, tem músicas de Raul também! Mas o interessante aqui para a matéria é citar que na edição do disco (e do cd) saiu uma versão de “Ain’t She a Sweet“, gravada no meio das sessões dos Beatles como banda de apoio de Tony Sheridan para My Bonnie (a música é tão antiga que tem versões até em 1927! quer ver?)
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E voltando ao Raul, antes da versão, ele mesmo fala que os Beatles gravaram uma versão para a música! Vou deixar o próprio falar pra vocês:
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No disco “Metrô Linha 743” no remake da faixa “eu sou egoísta“, lá está Raul cantando trecho de Imagine no fim da música!
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Considerações finais: Afinal, todo mundo sabe que muito artista, até famoso, adora citar música de seus ídolos, se sentem, enfim, até criando junto com ele, ou simplesmente dizendo um “Parabéns cara, gosto demais da tua música, olha só”.
Existe um limite entre a referencia e o plágio: Não sei a partir de quando foi estabelecido essa regra, mas a partir de que a referência a outra música passa de 8 acordes da mesma a pessoa pode ser até processada por isso. Raul sempre fez suas referências dentro dos limites. Não tenho nenhuma dúvida. E, como muito beatlemaniaco, curtiu bastante as presença dos Beatles nas coisas que o Raul fez. Eu curti bastante coletar esse material a vocês.

Abraço e até mais!
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Ps: Obrigado a Vitor Franke, JW e o pessoal que comentou nas duas primeiras matérias sobre na ajuda com informações complementares a essa matéria!
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por André Katz

Revolver: Fim das turnês e início da fase psicodélica

O mundo não era mais o mesmo no ano de 1966 e os Beatles faziam parte de toda aquela revolução. Em meio a todos os acontecimentos políticos e culturais que o mundo assistia, o álbum seguinte a Rubber Soul dava continuidade, agora de forma muito mais madura e confiante, a uma nova fase da banda, abusando do experimentalismo e influenciado pelas mais diversas vertentes culturais.

Por falta de um bom roteiro, a banda se recusou a gravar um novo filme. Ao invés disso, os Beatles tiraram as merecidas férias, depois de tanto agito. Com mais tempo, a banda pode trabalhar mais em estúdio, conhecendo e experimentando mais dos recursos que a época fornecia. Quando caíram na estrada e iniciaram uma nova turnê, a insatisfação era evidente. Estava impossível mostrar no palco o quanto a banda estava evoluindo em estúdio.

Depois de Rubber Soul, estava claro que os Beatles preparariam algo ainda mais inovador. Aqueles quatro rapazes haviam crescido muito em apenas três anos, de forma que a música da banda estava refletindo cada vez mais a personalidade de cada um.

De 6 de Abril a 21 de Junho de 1966, a banda produziu o novo disco, que trazia em suas composições, várias referências políticas e sociais. As experiências com drogas ficavam evidentes na maioria das composições, não só pelas letras, mas pelos arranjos inovadores. Em 14 faixas (todas de autoria da banda), os Beatles provaram o que parecia impossível: Superar o que os próprios Beatles haviam feito até então.

Taxman – (Harrison)
Gravação: 21, 22 de abril e 16 de maio de 1966

George abre o disco com uma canção-protesto, falando sobre a cobrança de impostos. Segundo a letra, até pra morrer é preciso pagar ao governo. O “Mr. Wilson” citado na canção era Harold Wilson, Primeiro Ministro Inglês do Partido Trabalhista. E “Mr. Heath”, era Edward Heath, líder da oposição do Partido Conservador. Na época, os Beatles estavam assustados e inconformados com as altas taxas cobradas sobre tudo que eles faturavam. Apesar de ser uma canção da década de 60, ainda hoje é muito atual. Não só pela letra, mas também pelos arranjos muito vigorosos. Paul se destaca, tocando contra-baixo e guitarra solo.

Eleanor Rigby – (Lennon/McCartney)
Gravação: 28, 29 de abril e 06 de junho de 1966

A cada disco, Paul nos surpreende com uma belíssima balada. Repetindo o feito de Yesterday, somente ele participa da gravação, acompanhado por 8 músicos de estúdio que executam o incrível arranjo de George Martin. Paul McCartney diz que a inspiração pra canção surgiu da vitrine de uma loja chamada “Daisy Hawkins”; mas alguns anos mais tarde, foi encontrado um túmulo onde uma mulher chamada Eleanor Rigby havia sido enterrada. Curiosamente, ele e John costumavam passar por este cemitério, mas Paul garante que não se lembrava desse detalhe.

I’m Only Sleeping  – (Lennon/McCartney)
Gravação: 27, 29 abril, 05 e 06 de maio de 1966

A composição de John é uma das provas do experimentalismo que a banda estava desenvolvendo. Guitarras foram colocadas ao contrário. Ou seja, após gravar o instrumento, a fita foi incluída de trás para frente; transformando a canção em uma das mais psicodélicas gravações. Outro detalhe está na gravação da voz de John, que foi acelerada, ganhando uma nova característica.

Love You To – (Harrison)
Gravação: 11 e 13 de abril de 1966

Outra canção de George. Desta vez, mostrando seu amor pela cultura oriental. Só ele participou da gravação, cantando e tocando cítara, acompanhado pelo músico indiano Anil Bhagwat, que toca tabla. A belíssima canção influenciou várias outras bandas que passaram a acrescentar instrumentos indianos às suas gravações.

Here, There and Everywhere – (Lennon/ McCartney)
Gravação: 14, 16 e 17 de junho de 1966

Uma das mais lindas canções dos Beatles. Composta por Paul, que faz a voz principal. John e George fazem os belos vocais que dão o charme à canção.

Yellow Submarine – (Lennon/ McCartney)
Gravação: 26 de maio e 01 de junho de 1966

Composição de John e Paul, feita exclusivamente para Ringo cantar. A gravação ainda contou com diversos “overdubs”, incluindo os sons de orquestras, ondas do mar e falas que complementam a música. No coro final, George Martin, Neil Aspinall, Mal Evans e Geoff Emerick se juntam aos Beatles. Anos mais tarde, esta música ainda seria tema do psicodélico desenho animado da banda.

She Said She Said – (Lennon/McCartney)
Gravação: 21 de Junho de 1966

Mais uma composição de John sobre o uso de drogas. Inicialmente, a canção se chamava “He Said He Said” e foi baseada no comentário do ator Peter Fonda, que após tomar LSD, falou “Eu sei como é estar morto”. Depois de uma discussão com John Lennon, Paul saiu do estúdio, abandonando a sessão de gravação e levando George Harrison a tocar contra-baixo na canção. Após as gravações, George ainda não estava satisfeito com as guitarras e decidiu gravar mais uma. O problema é que não havia mais canais disponíveis para gravação e a única solução encontrada foi gravar no mesmo canal de outra guitarra que já estava gravada. Porém, o engenheiro de gravação, Geoff Emerick alertou George Harrison que se houvesse o menor erro, tudo que havia sido gravado naquele canal estaria perdido. George disse: “Pois eu não vou errar!” e ao final da gravação brincou: “Não falei que não ia errar?”.

Good Day Sunshine – (Lennon/McCartney)
Gravação: 08 e 09 de junho de 1966

Composição de Paul, que também toca piano na gravação. Esse piano teve sua velocidade alterada, para obter o efeito desejado.

And Your Bird Can Sing – (Lennon/McCartney)
Gravação: 26 de abril de 1966

Por incrível que pareça, John nunca gostou dessa sua composição. Seu vocal principal é acompanhado pelos backing vocals de Paul e George.

For No One – (Lennon/McCartney)
Gravação: 09, 16 e19 de maio de 1966

Balada de Paul McCartney para sua namorada, Jane Asher. Inicialmente se chamaria “What Did I Die?”. Paul é acompanhado somente por Ringo na bateria e um músico chamado Alan Civil, que tocava da Orquestra Filarmônica de Londres, tocando “French Horn”, uma espécie de trompa. Paul, além de cantar, toca contra-baixo, piano e cravo.

Dr. Robert – (Lennon/McCartney)
Gravação: 17 e 19 de abril de 1966

Composição de John com uma ajuda de Paul. A letra fala de um “doutor” que receitava pílulas para os clientes se sentirem melhor. Imagina-se que a canção seja inspirada no doutor Robert Freymann, que receitava anfetamina para alguns artistas. Outros garantes que se trata do físico americano, Dr. Charles Roberts ou até mesmo o músico Bob Dylan, já que seu nome verdadeiro é Robert Zimmerman. Mas John desconversava e dizia que o “Robert” da canção era ele mesmo: “Eu era o único que carregava todas as pílulas nas excursões…”

I Want To Tell You – (Harrison)
Gravação: 02 e 03 de junho de 1966

George emplaca sua 3ª canção no disco. Paul toca o piano que deixa a música ainda mais marcante. A música fala da velocidade do pensamento em relação à lentidão da fala e da escrita. George se mostra cada vez mais maduro como compositor.

Got To Get You Into My Life – (Lennon/McCartney)
Gravação: 08 ,11 de abril, 18 de maio e 17 de junho de 1966

Composição de Paul, totalmente inspirada na música negra dos anos 60. Os músicos Ian Hammer, Les Cordon, Eddie Thornton, Alan Branscombe e Peter Coe tocam os instrumentos de sopro na canção feita em “homenagem” à maconha.

Tomorrow Never Knows – (Lennon/McCartney)
Gravação: 06, 07 e 22 de abril de 1966

A última canção do disco foi a primeira a ser gravada e é a mais experimental do álbum. Inicialmente chamada de “The Void”, em seguida de “Mark I”, até John decidiu finalmente usar mais uma das frases de Ringo: “Amanhã nunca se sabe”. Trata-se de uma colagem de sons que acompanha a bateria de Ringo e instrumentos que formam uma base somente no acorde de Dó Maior. A letra foi inspirada no “Livro Tibetano dos Mortos” de Timothy Leary. John e Paul estavam fascinados por colagens de sons, feitas a partir de fitas de gravação, que eram misturadas aleatoriamente e emendadas uma a uma. O “efeito” no vocal de John foi produzido a partir de um speaker “Leslie”, servindo como um filtro e modificando o timbre de sua voz. Isso, segundo John, era para parecer como um monge falando do alto de um monte. O resultado é uma das canções mais psicodélicas e revolucionárias dos Beatles.

O disco se chamaria originalmente de “Abracadabra”, mas logo descartaram e aprovaram o novo título: “Revolver”; que nada tem a ver com a arma e sim com o movimento de um disco. A arte da capa foi produzida por Klaus Voorman, o amigo dos Beatles desde a época de Hamburgo e que anos mais tarde viria a ser o baixista de John, George e Ringo em alguns discos de carreira solo.

Revolver foi lançado na Inglaterra em 05 de agosto de 1966 e nos Estados Unidos em 08 de agosto de 1966. O disco chegou ao topo das paradas britânicas em 10 de agosto e permaneceu por 7 semanas.

O ano de 1966 se mostrava decisivo na carreira da banda. Foram 10 indicações ao Grammy e três troféus Ivor Novello (premiação máxima da música britânica), pelas canções lançadas no ano anterior.

Em março, os Beatles foram entrevistados pela jornalista Maureen Cleave, que trabalhava no jornal britânico “London Evening Standart”. Nesta entrevista, John fez a polêmica declaração de que o cristianismo acabaria mais cedo ou mais tarde e que os Beatles eram mais famosos que Cristo. Esta declaração não chegou a causar polêmica na Inglaterra, já que todos entenderam que John não estava se julgando superior ao cristianismo, apenas disse que via a religião como algo que estava perdendo a força. Porém, nos Estados Unidos a frase foi citada fora de contexto e incompreendida pela maioria das pessoas que passaram a queimar discos da banda em praça pública e criar movimentos “anti-Beatles” como forma de protesto. Algumas rádios passaram a boicotar as canções dos Beatles e em pouco tempo alguns países da Europa também protestavam contra a declaração incompreendida de John Lennon.

Não sendo o suficiente, a banda ainda passou por sérios problemas políticos nas Filipinas e após o lançamento de Revolver, os Beatles chegaram à conclusão de que as turnês estavam impedindo o crescimento da banda. Toda a tensão causada por problemas políticos e culturais, a falta de segurança e de estrutura em que eles eram submetidos e os problemas técnicos que não permitiam uma boa performance ao vivo, fizeram a banda anunciar o fim das turnês. Em 29 de agosto, logo após o lançamento de Revolver, os Beatles se apresentam pela última vez, em um show no Candelstick Park, em San Francisco.

A partir dessa data, os Beatles passaram a se dedicar somente às gravações em estúdio; podendo abusar ao máximo dos recursos técnicos e da criatividade do grupo. O papel de George Martin se tornaria ainda mais importante, já que era ele quem colocava em prática tudo aquilo que os Beatles imaginavam e muitas vezes só Martin compreendia. Era o ápice de uma revolução cultural que ainda hoje inspira artistas ao redor do mundo.

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- Rubber Soul

- Help!

- Beatles For Sale

Por Edcarlos da Silva

O experimentalismo e a sofisticação de Rubber Soul

Desde “Please Please Me”, a cada novo disco, os Beatles se mostravam mais evoluídos e exigentes e aqueles quatro rapazes ingênuos aos poucos iam se transformando em músicos experientes e sofisticados.

O disco “Help!” foi um anúncio de que o rock tomaria novas formas. As letras já se mostravam mais inteligentes, as melodias eram mais elaboradas e as influências da música country e folk se mostravam cada vez mais presentes nos arranjos. Era uma época de mudança na forma de se fazer música.

Enquanto o mundo pensava assim, os Beatles estavam em constante evolução criativa; e agora com mais liberdade, podiam usar os estúdios durante o tempo que quisessem, aproveitando cada vez mais das técnicas de gravação.

Devido à correria das turnês, o novo disco levou aproximadamente um mês para ser produzido, contando ainda com algumas composições da época de “Help!”, mas com uma nova roupagem; mostrando uma nova fase de descobertas, tanto na forma de compor, quanto na maneira de gravar. Em 3 de Dezembro de 1965, chegava às lojas da Inglaterra o disco Rubber Soul, que mais parecia uma coletânea de singles, devido à qualidade das canções, todas de autoria da banda.

Drive My Car – (Lennon/McCartney)
Gravação: 13 de Outubro de 1965

Composição de Paul que além de dividir os vocais principais com John, também toca piano e contra-baixo. Muito bem escolhida para ser a faixa de abertura. Com um ritmo marcante e uma ótima linha de baixo; além da bela execução de George, se aperfeiçoando cada vez mais como guitarrista. Diz a lenda que Paul escreveu uma música que dizia: “I can give you golden rings; I can give you anything.” (“eu posso te comprar um anel de ouro, eu posso te dar qualquer coisa”). John Lennon lembrou que a letra lembrava “Can’t Buy Me Love”. Depois que surgiu “Drive My Car”, Paul confessou: “Na verdade, não entendo de carros. Se tenho que ir a um mecânico, só digo a ele: – Bem… eu acho que não tá muito bom…”

Norwegian Wood (This Bird Has Flown) – (Lennon/McCartney)
Gravação: 21 de Outubro de 1965

Composição de John, com uma pequena ajuda de Paul. A letra fala de um caso que John teve na época em que ainda era casado com Cynthia. George disse que estava procurando um timbre diferente para essa gravação. Não sabia o que usar até que encontrou uma sitar (ou “sítara”) no depósito da EMI. Foi a primeira vez que ele usou o instrumento indiano numa gravação. O gosto pela música e pelos instrumentos indianos pouco depois faria George se aproximar da religião oriental, adotando-a como sua filosofia de vida.

You Won’t See Me – (Lennon/McCartney)
Gravação: 11 de Novembro de 1965

Composição de Paul, que além de cantar e tocar contra-baixo, ainda faz o piano. A letra foi feita para Jane Asher, então namorada de Paul. John faz os backing vocals e toca pandeiro. O órgão Hammond é tocado por Mal Evans.

Nowhere Man – (Lennon/McCartney)
Gravação: 21 e 22 de Outubro de 1965

Composição de John, feita com urgência. Na falta de inspiração para criar a canção, John Lennon se viu como um “homem de lugar nenhum”. Esse foi o primeiro passo para a criação da música. Belíssimo arranjo de 3 vozes, feitas por John, Paul e George, mostrando a nova fase em que a banda estava.

Think for Yourself – (Harrison)
Gravação: 08 de Novembro de 1965

Composição que serviria de ponto de partida para as letras mais filosóficas de George Harrison. Paul McCartney usou seu baixo Rickenbacker com “Fuzz”, dando o som distorcido que marcou a canção.

The Word – (Lennon/McCartney)
Gravação: 10 de Novembro de 1965

Composta por John Lennon com o auxílio de Paul, a canção com um ritmo diferente trata da palavra “Amor” em um conceito universal, sendo adotado pelo movimento Hippie que ainda estava começando a surgir. Mais tarde, John comentou que a letra foi feita sob efeito do uso de maconha. George Martin é quem toca o Harmonium.

Michelle – (Lennon/McCartney)
Gravação: 03 de Novembro de 1965

A notável balada de Paul é a segunda música mais regravada no mundo, ficando atrás de uma outra composição sua, “Yesterday”.

A pedido de John Lennon, Paul resgatou uma composição sua que tinha um toque francês, mas ainda não estava concluída. Ele pediu então uma ajuda à esposa de Ivan Vaugh (o mesmo que havia apresentado Paul a John, em 1957), que era professora de francês.

What Goes On – (Lennon/McCartney/Starkey)
Gravação: 04 de Novembro de 1965

Primeira canção que trás Ringo como um dos compositores. O baterista usou uma antiga composição de John e adaptou ao seu estilo. O country não chega a ser ruim, mas em meio às outras canções do disco, esta ficou quase que esquecida.

Girl – (Lennon/McCartney)
Gravação: 11 de Novembro de 1965

Composição de John que fala sobre uma mulher irreal. Na letra, algumas referências ao cristianismo são mostradas, além da brincadeira de Paul e George, cantando “tit, tit, tit, tit…” nos backing vocals.

I’m Looking Through You – (Lennon/McCartney)
Gravação: 10 e 11 de Novembro de 1965

Outra composição de Paul que fala do abandono de sua namorada, Jane Asher. Paul toca guitarra, além de usar o seu contra-baixo Rickenbacker e Ringo toca o órgão Hammond, além da bateria.

In My Life – (Lennon/McCartney)
Gravação: 18 e 22 de Outubro de 1965

Uma das mais belas músicas dos Beatles, composta em sua maior parte por John Lennon. Paul McCartney diz que ajudou em boa parte da melodia, contrariando John Lennon, que após a separação da banda, disse que fez tudo sozinho. O incrível solo de piano é feito por George Martin, que em 1998 lançou um disco chamado “Im my life”, com Sean Connery regravando a canção.

Wait – (Lennon/McCartney)
Gravação: 17 de Junho e 11 de Novembro de 1965

Composição de John e Paul que começou a ser gravada ainda nas sessões de “Help!”, mas foi deixada de lado para só ser finalizada mais tarde.

If I Needed Someone – (Harrison)
Gravação: 16 e 18 de Outubro de 1965

Outra composição de George, que faz o vocal principal. O riff da guitarra serviu de inspiração para mais tarde compor “Here Comes the Sun”. John e Paul fazem os backing vocals e Geroge Martin toca o Harmonium

Run for Your Life – (Lennon/McCartney)
Gravação: 12 de Outubro de 1965

John Lennon odiava essa sua composição. No Brasil, Renato e Seus Blue Caps fizeram uma versão chamada “Dona do Meu Coração”. George Martin tocou pandeiro na gravação e a primeira frase da canção foi tirada de “Baby Let’s Play House”, de Elvis Presley.

Na capa, os Beatles aparecem em uma foto levemente deformada, mostrando uma mudança de comportamento e uma certa despreocupação com a imagem. Paul estava vendo a sequência de slides com a sessão de fotos, quando uma delas apareceu com o ângulo distorcido. Imediatamente ele falou: “É desse jeito que a foto tem que estar!” e completou: “É isso! Rubber Soul!”. John Lennon dizia que era o “disco da maconha”, porque eles estavam com os olhos muito vermelhos.

Em menos de uma semana após o lançamento, Rubber Soul já alcançava o 1º lugar nas paradas, permanecendo por 12 semanas.  Nos Estados Unidos, o disco vendeu 1,2 milhões de cópias em apenas 9 dias após o lançamento. O disco americano recebeu o mesmo nome, mas não tinha a mesma seqüência de músicas. Além disso, o título na capa aparecia de outra cor.

Rubber Soul pode muito bem ser considerado o marco inicial do rock experimental. A referência às drogas e temas mais politizados marcam o início da fase progressiva, apresentada nos álbuns seguintes e o rock passa a ser usado como forma de expressão artística. A revolução estava apenas começando…

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- Help!

- Beatles For Sale

- A Hard Day’s Night

Por Edcarlos da Silva

Help! – Composições autobiográficas na trilha do segundo filme dos Beatles

Após o sucesso de “A Hard Day’s Night”, lançado no ano anterior, a United Artists tratou de providenciar um novo filme para os Beatles. A intenção, claro, era explorar o máximo do sucesso que a beatlemania fazia em todo o mundo. Para isso, os Beatles repetiriam a fórmula do primeiro filme, lançando um disco com a trilha sonora no lado A e outras canções inéditas no lado B.

Com o título provisório de “Eight Arms to Hold You”, o filme começou a ser produzido em fevereiro, sob a direção de Richard Lester, que já havia dirigido “A Hard Day’s Night”. A diferença é que no novo filme, os Beatles não são perseguidos por fãs histéricas e sim por membros de uma seita que pretende oferecer uma vida em sacrifício, mas a pessoa precisa estar usando um anel, que por acaso acaba em um dos dedos de Ringo e não sai de jeito nenhum. Entre perseguições, fugas e explosões, as filmagens duram em torno de quatro meses, contando com locações em Londres, Bahamas e Alpes Suíços. Toda essa estrutura teve um orçamento duas vezes maior que “A Hard Day’s Night”.

Já com o novo título escolhido tanto para o filme, quanto para o disco, os Beatles precisaram correr contra o tempo para finalizar o álbum e lança-lo no prazo estipulado. O disco foi gravado entre 15 de fevereiro e 17 de junho; sendo lançado em 6 de agosto de 1965. As canções, muito mais maduras, mostravam o quanto a banda estava evoluindo, com letras autobiográficas, melodias muito bem elaboradas, novos efeitos e arranjos mais complexos, que contavam com diversos músicos de estúdio.

Help! – (Lennon/McCartney)
Gravação: 13 de abril de 1965

Faixa-título do disco e do filme. Apesar de ser uma canção com forte apelo comercial, era uma das composições preferidas de John. A letra mostra o quanto ele estava deprimido e assustado com o rumo que sua vida tinha tomado.

The Night Before – (Lennon/McCartney)
Gravação: 17 de fevereiro de 1965

Composição de Paul que faz o vocal principal. John e George fazem os backing vocals. A gravação ainda conta com John Lennon no piano elétrico.

You’ve Got to Hide Your Love Away – (Lennon/McCartney)
Gravação: 18 de fevereiro de 1965

Composição de John, inspirado em Bob Dylan. Apesar de ter sido escrita especialmente para o filme, a letra também fala das emoções de Lennon, que estava desenvolvendo sua forma de compor sobre o que sentia. A canção conta com instrumentos acústicos e dois flautistas participam da gravação. Pela primeira vez, desde “Love Me Do”, músicos de estúdio são usados em um disco dos Beatles. O arranjo das flautas foi criado pelo maestro John Scott, apesar de não constar nos créditos do disco.

I Need You – (Harrison)
Gravação: 18 de fevereiro de 1965

Segunda composição creditada a George em um disco dos Beatles (a primeira foi “Don’t Bother Me”, no With the Beatles). George fez a canção para sua namorada, a modelo Pattie Boyd. A gravação contou com o recém-adquirido pedal de volume e a canção marca a fase em que George começa a se desenvolver também como compositor.

Another Girl – (Lennon/McCartney)
Gravação: 15 e 16 de fevereiro de 1965

Composição de Paul, que além de cantar e tocar contra-baixo, pela primeira vez grava também a guitarra solo. Lembrando que Paul já tocava guitarra antes e só se tornou baixista porque Stuart Sutcliffe saiu do grupo, ainda nos tempos de Hamburgo.

You’re Going to Lose That Girl – (Lennon/McCartney)
Gravação: 19 de fevereiro de 1965

Composição de John que conta com os backing vocals de Paul e George. Paul também toca piano, além do contra-baixo e Ringo toca bateria e bongôs.

Ticket to Ride – (Lennon/McCartney)
Gravação: 15 de fevereiro de 1965

Composição de John, que considerava a música bem pesada para a época. A bateria também era inovadora, mostrando que Ringo estava acompanhando a evolução criativa dos outros músicos. Paul toca guitarra solo, além de contra-baixo.

Act Naturally – (Morrison/Russell)
Gravação: 17 de junho de 1965

O cover da canção gravada originalmente por Buck Owens substituiu “If You Got Trouble”, composta por John e Paul especialmente para Ringo, mas deixada de lado em cima da hora. Em “Act Naturally”, Ringo faz o vocal principal e Paul faz a segunda voz. A guitarra de George dá o clima country que tanto combina com a voz do baterista.

It’s Only Love – (Lennon/McCartney)
Gravação: 15 de junho de 1965

John não gostava desta sua composição, que inicialmente se chamava “It’s a Nice Hat” (“É um belo chapéu”). A versão instrumental foi incluída no álbum que trazia a trilha original do filme. George usa um novo efeito na guitarra, produzindo uma espécie de vibrato.

You Like Me Too Much – (Harrison)
Gravação: 17 de fevereiro de 1965

Outra bela composição de George, que faz o vocal principal, acompanhado de Paul na segunda voz. Paul e George Martin dividem o piano Steinway e John toca o piano elétrico.

Tell Me What You See – (Lennon/McCartney)
Gravação: 18 de fevereiro de 1965

Composição de Paul, que faz o vocal acompanhado de John Lennon. Na falta de um reco-reco, John faz o som em uma tábua de lavar roupa, lembrando as antigas bandas de Jazz e Blues.

I’ve Just Seen a Face – (Lennon/McCartney)
Gravação: 14 de junho de 1965

Composição de Paul, gravada somente com instrumentos acústicos. Antes de receber letra, a composição era chamada de “Aunt Gin’s Theme”; ou seja, “Tema de tia Gin”. George Martin lançou uma versão instrumental com esse título.

Yesterday – (Lennon/McCartney)
Gravação: 14 de junho de 1965

Pela primeira vez, só um Beatle aparece numa canção. A composição inicialmente chamada de “Scrambled Eggs” (“ovos mexidos”), surgiu enquanto Paul acordava e para ter certeza de que a música não era de ninguém, precisou mostrar para várias pessoas pelos corredores da gravadora; dentre elas, Eric Clapton, que ainda não era tão conhecido. Após confirmar que a composição tinha surgido naturalmente em sua cabeça, Paul criou a letra e a canção foi gravada apenas por ele, acompanhado por um quarteto de cordas. “Yesterday” foi considerada a composição mais importante do século XX e está entre as músicas mais regravadas do mundo, tendo mais de 2.000 versões. Dizem que Paul coleciona as gravações que outros cantores fazem desta canção.

Dizzy Miss Lizzy – (Williams)
Gravação: 10 de maio de 1965

A canção de Larry Williams era um dos grandes sucessos dos tempos do Cavern Club e ficou muito bem na voz de John que também tocou o órgão Hammond. Apesar de ser considerado o último cover gravado pelos Beatles, eles ainda lançariam anos mais tarde, no disco Let it Be (1970), a versão de uma canção tradicional de Liverpool, chamada “Maggie Mae”.

O disco Help! chegou ao topo das paradas britânicas na semana de seu lançamento e permaneceu lá por 11 semanas. Nos Estados Unidos, o disco foi lançado em 13 de agosto e trazia as 7 canções do filme, mais 6 faixas instrumentais, conduzidas por Ken Thorne. Para o lançamento deste disco, a Capitol (gravadora responsável pelos lançamentos dos Beatles nos EUA) recebeu uma encomenda até então inédita: 1 milhão de cópias, antes mesmo do lançamento. Em 4 de setembro de 1965 o disco chegava ao topo das paradas americanas.

No Brasil, a Odeon lançou o disco com a trilha sonora do filme e aproveitou para encaixar algumas músicas lançadas em compactos que ainda eram inéditas por aqui.

Help! também influenciou o roteiro do filme de Roberto Carlos, dirigido por Roberto Farias em 1967. “Roberto Carlos em Ritmo de Aventura” tinha um enredo muito parecido com “Help!”; com perseguições pelo Rio de Janeiro e capangas tentando seqüestrar o cantor. A história conta a tentativa de fazer um filme com o Roberto Carlos (é, um filme dentro do filme!) e uma quadrilha internacional se aproveita das gravações para chegar ao protagonista, armando explosões e troca de tiros. Tudo acompanhado de uma trilha sonora que o cantor lançou no mesmo ano. É mais um exemplo da influência dos Beatles na cultura brasileira.

Na capa, ao contrário do que muita gente pensa, os sinais que os Beatles fazem não formam nenhuma palavra e não têm nenhum significado. Foram movimentos aleatórios, importando apenas a boa aparência na foto. Além disso, nas milhares de versões que saíram por todo o mundo, a capa sofreu várias modificações, chegando até a inverter alguns dos Beatles.

O disco é um anúncio de que os quatro rapazes de Liverpool estavam em um incrível desenvolvimento musical, usando cada vez mais das técnicas de estúdio e lançando verdadeiros clássicos que mesmo depois de tantas décadas, permanecem atuais e servem como influência para novos grupos. Help! representa a transição musical da banda, saindo da ingenuidade do ié, ié, ié para uma fase muito mais madura e criativa.

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- Beatles For Sale

- A Hard Day’s Night

- With The Beatles

Por Edcarlos da Silva

Beatles For Sale – Amadurecimento musical à beira do esgotamento físico

Com a explosão da Beatlemania em todo o mundo, o sucesso do filme A Hard Day’s Night, as exaustivas turnês e as apresentações em rádio e TV, o ano de 1964 estava sendo muito desgastante para os Beatles.

Apenas dois meses após o lançamento do terceiro álbum, a banda retornou aos estúdios Abbey Road para as primeiras sessões do novo disco. A essa altura, eles já não sentiam a mesma euforia dos meses anteriores e o cansaço era visível.

De 14 de agosto a 26 de Outubro de 1964, entre tantos compromissos, os Beatles produzem um novo disco para ser lançado no final do ano, aproveitando as vendas de Natal. Eles haviam concluído uma grande turnê que passava por vários países, como Suécia, Dinamarca, Nova Zelândia, Finlândia e Austrália; outra grande turnê norte-americana, com 31 apresentações em 32 dias; além das inúmeras apresentações em programas de rádio e TV no Reino Unido. Por isso, a banda precisou recorrer à velha fórmula dos dois primeiros discos e além das 8 composições próprias, também incluíram alguns covers.

Vale lembrar que o terceiro disco, A Hard Day’s Night, foi produzido somente com canções de Lennon e McCartney, o que foi considerado como uma grande evolução para a banda. Por isso mesmo, a crítica esperava mais do álbum “Beatles For Sale”, que foi considerado um disco fraco, simplesmente comercial.

Essa afirmação seria verdadeira, não fosse o grande amadurecimento musical, apresentado principalmente nas composições de Lennon & McCartney. Letras autobiográficas, melodias mais complexas e arranjos influenciados na country music, apresentada por Bob Dylan.

No Reply – (Lennon/McCartney)
Gravação: 30 de Setembro 1964

O disco começa direto com a voz de John, sem introdução instrumental. George e Paul fazem os backing vocals e o piano é tocado por George Martin. John Lennon a compôs para o grupo “Remo Four”, que gravou a canção, mas nunca foi lançada.

I’m A Loser – (Lennon/McCartney)
Gravação: 14 de Agosto 1964

Composição de John, inspirado nas letras de Bob Dylan. Além do vocal principal, John Lennon também toca harmônica (gaita de boca) e Paul ajuda nos backing vocals.

Baby’s In Black – (Lennon/McCartney)
Gravação: 11 de Agosto 1964

John e Paul cantam em dueto nesta canção de ritmo estranho e letra obscura, composta pelos dois, com participação maior de John.

Rock And Roll Music – (Berry)
Gravação: 18 de Outubro 1964

Este cover, cantado por John Lennon é considerado melhor até que a própria versão original, de Chuck Berry. Na gravação, Paul, John e George Martin dividem o mesmo piano neste rock and roll forte e super animado.

I’ll Follow The Sun – (Lennon/McCartney)
Gravação: 18 de Outubro 1964

Linda canção, composta por Paul quando ainda tinha 16 anos e sua turma de escola fez um passeio no campo. Alguns trechos foram alterados para a gravação, mas a maior parte da canção foi mantida.

Mr. Moonlight – (Johnson)
Gravação: 18 de Outubro 1964

John faz o vocal principal na canção que já havia sido gravada em 1962 pelo grupo “Dr. Feelgood & the Interns”. Paul, além do contra baixo, também toca um órgão Hammond e George, além da guitarra, toca um tambor africano.

Kansas City / Hey, Hey, Hey, Hey! – (Leiber/Stoller)
Gravação:18 de Outubro 1964

Dois sucessos que Little Richard já apresentava como medley em seus shows. Paul também cantava desse jeito e a gravação foi feita assim como a banda já tocava, acrescentando George Martin ao piano.

Eight Days A Week – (Lennon/McCartney)
Gravação: 06, 18 de Outubro 1964

Um dos grandes sucessos do disco, composto em parceria por Paul e John. O “fade-in” da introdução (som que começa em um volume mais baixo e vai aumentando aos poucos) foi considerado uma das inovações da banda, utilizado posteriormente por tantos outros músicos. Na verdade, os Beatles estavam começando a experimentar os recursos dos estúdios de gravação. O vocal principal é de John. Paul faz os backing vocals.

Words Of Love – (Holly)
Gravações: 18 de Outubro 1964

Belíssima interpretação da canção de Buddy Holly, cantada por John e Paul. A perfeita harmonia vocal transforma a música em uma das melhores gravações do disco e confirma o bom gosto que os Beatles tinham também para a escolha dos covers.

Honey Don’t – (Perkins)
Gravação: 26 de Outubro 1964

Cover de Carl Perkins (que estava presente no estúdio durante a gravação), cantado por Ringo. A música já fazia parte do repertório dos Beatles desde os tempos de Hamburgo. Mas naquela época, John Lennon era quem cantava. Ela foi escolhida por Ringo, por se enquadrar em seu estilo e limite vocal, mantendo o costume de cada disco trazer uma canção interpretada pelo baterista.

Every Little Thing – (Lennon/McCartney)
Gravação: 30 de Setembro 1964

Perfeita harmonia vocal de John e Paul. Ringo toca tímpanos, além da bateria e Paul toca piano, além do contra-baixo.

I Don’t Want To Spoil The Party – (Lennon/McCartney)
Gravação: 29 de Setembro 1964

Country composto e cantado por John, que dizia gostar muito dessa música. Paul também ajuda nos vocais.

What You’re Doing – (Lennon/McCartney)
Gravação: 26 de Outubro 1964

Uma das poucas composições de Paul no ano de 1964. George Harrison usa sua Rickenbacker de 12 cordas e o piano é tocado por George Martin. A canção começa só com uma linha de bateria de Ringo que é repetida no final da música.

Everybody’s Trying To Be My Baby – (Perkins)
Gravação: 18 de Outubro 1964

Carl Perkins estava presente nos estúdios quando os Beatles gravaram esta canção e ficou muito satisfeito com o resultado. George faz o vocal e a guitarra solo deste cover gravado originalmente por Perkins em 1958.

Durante as sessões de “Beatles For Sale”, eles ainda gravaram “I Feel Fine” e “She’s a Woman”, lançadas em um single em novembro de 1964.

“Beatles For Sale” foi lançado em 4 de Dezembro de 1964 e foi o quarto álbum da banda em menos de dois anos. Na capa, os Beatles pousam no Hyde Park (Londres) com rostos cansados. A foto foi feita por Robert Freeman, que já havia fotografado para a capa de “With the Beatles”. O título do disco é uma referência ao comércio que havia em cima da imagem da banda.

O álbum alcançou o topo das paradas em 28 de dezembro, tirando A Hard Day’s Night, que estava há 21 semanas em 1º lugar. Apesar de ser considerado um disco “mais fraco” que o anterior, “Beatles For Sale” permaneceu na primeira posição por 9 semanas.

O LP trazia ainda um texto de Derek Taylor (jornalista que se tornou assessor de imprensa dos Beatles), prevendo que no futuro, se alguém perguntasse quem foram os Beatles, bastaria tocar algumas faixas desse disco para que a pessoa entendesse a importância da banda. Outro trecho do texto dizia: “Os jovens do ano 2000 sentirão muito mais bem-estar do que já sentimos hoje, porque a mágica dos Beatles, suponho, não tem limite de tempo nem de idade. Ela venceu todas as barreiras e acabou com todas as diferenças entre raças, idades e classes. É venerada por todo o mundo”. Não sabemos o que os jovens dos anos 60 pensavam sobre isso, mas com certeza, hoje vemos que Derek Taylor estava certíssimo!

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- A Hard Day’s Night

- With The Beatles

- Please Please Me

Por Edcarlos da Silva

Os reis do ié, ié, ié chegam ao cinema!

Com o lançamento de “With the Beatles” e do single “I want to hold your hand / This boy”, os Beatles conseguiram chegar aonde tanto queriam: O topo das paradas dos Estados Unidos. A agenda da banda ficou ainda mais corrida, com várias apresentações na TV, participações em programas de rádio, shows cada vez mais disputados e sucesso absoluto de vendas de LPs e singles. Era o início da Beatlemania, que em breve tomaria conta do mundo. Com todo esse sucesso, a banda começou a pensar em atuar em um filme e o empresário Brian Epstein adorou a idéia de levar o quarteto às telonas.

Os Beatles já eram fãs dos filmes de rock and roll, não tanto pelos roteiros, que eram péssimos, mas pelas músicas. Esse era o grande motivo que levava os jovens ao cinema para assistir os filmes de rock. No caso dos Beatles, eles queriam uma boa história e exigiam que a trilha sonora fosse composta por Lennon & McCartney.

Devido aos compromissos, as filmagens precisavam acontecer de forma rápida e o mesmo aconteceria com as gravações. Sendo assim, a banda teve por volta de duas semanas para compor, ensaiar e gravar a trilha que foi lançada no 3º disco dos Beatles, levando o mesmo nome do filme: A Hard Day’s Night.

O filme conta de forma resumida, como era o dia-a-dia da banda, entre programas de TV, rádio, ensaios, gravações e shows; tudo isso em meio à histeria das fãs. No disco, o lado A contém as 7 canções inéditas do filme. As 6 canções do lado B foram compostas durante as filmagens e não fazem parte da trilha sonora.

A Hard Day’s Night é o único disco dos Beatles a conter somente composições da dupla Lennon & McCartney e trás alguns dos maiores clássicos do rock do século XX:

A Hard Day’s Night
Gravação: 16 de Abril de 1964

A faixa-título do disco e do filme é uma composição de John e teve o título influenciado em uma das frases de Ringo. Paul McCartney ajudou na composição do refrão e é ele quem canta essa parte. George usa sua recém-adquirida Rickenbaker de 12 cordas para o acorde da introdução. Esta música foi lançada inicialmente em single, chegando ao 1º lugar em menos de uma semana após o lançamento.

I Should Have Known Better
Gravação: 26 de Fevereiro de 1964

Outra composição de John que também toca harmônica (gaita de boca) na gravação. A canção ficou imortalizada na cena do filme, onde eles tocam no trem. No Brasil, Renato e Seus Blue Caps fizeram uma versão em português, chamada “Menina Linda”, que fez sucesso antes mesmo da canção original chegar ao país.

If I Fell
Gravação: 27 de Fevereiro de 1964

Belíssima balada composta por John, com uma melodia muito bem elaborada, destacando a 2ª voz de Paul McCartney.

I’m Happy Just to Dance With You
Gravação: 01 de Março de 1964

Outra composição de John.  É a única canção que George Harrison canta no disco, acompanhado de John e Paul nos backing vocals.

And I Love Her
Gravação: 27 de Fevereiro de 1964

Música de Paul McCartney, dedicada à sua namorada da época, a atriz Jane Asher. O arranjo contou com violões e percussão, saindo um pouco do padrão de gravação que a banda mantinha na época. Sem dúvida, uma bela canção de Paul e um clássico dos Beatles.

Tell Me Why
Gravação: 27 de Fevereiro de 1964

Composição de John, que faz o vocal principal. Paul e George ajudam nos backing vocals do refrão.

Can’t Buy Me Love
Gravação: 29 de Janeiro de 1964

Composição de Paul, lançada inicialmente em single, junto com “You Can’t Do That”. A música foi gravada na França, nos estúdios Pathé Marconi, na mesma sessão em que gravaram as versões em alemão de “She Loves You” e “I Want to Hold Your Hand” (lançadas em um single e mais tarde no Past Masters Volume 1). Can’t Buy Me Love é cantada apenas por Paul e se tornou um dos grandes hits do disco.

Any Time At All
Gravação: 02 de Junho de 1964

Composição e vocal principal de John . A canção foi produzida durante as filmagens de A Hard Day’s Night e não está incluída na trilha. George Martin é quem faz o piano.

I’ll Cry Instead
Gravação: 01 de Junho de 1964

O country composto e cantado por John seria incluído na trilha do filme, mas foi substituído por Can’t Buy Me Love. Curiosamente, a versão lançada nos Estados Unidos pela Capitol sofreu uma remixagem diferente e a canção teve um verso repetido no final.

Things We Said Today
Gravação: 02 de Junho de 1964

Composta por Paul para Jane Asher. A canção fala das promessas de amor do casal e da falta de tempo dos dois, devido aos compromissos de trabalho.

When I Get Home
Gravação: 02 de Junho de 1964

Música de John Lennon, que canta acompanhado dos backing vocals de George e Paul.

You Can’t Do That
Gravação: 25 de Fevereiro e 22 de Maio de 1964

Outra composição de John, lançada no single com “Can’t Buy Me Love”. Além do vocal principal, John também fez o solo de guitarra na canção que foi escrita após uma discussão com Cynthia, sua primeira esposa.

I’ll Be Back
Gravação: 01 de Junho de 1964

Música de John, que faz a primeira voz. Paul e George ajudam nos vocais que dão um toque especial à canção.

O filme ainda conta com outras 5 canções lançadas anteriormente e que por isso mesmo não foram incluídas no disco: “Don’t Bother Me”, “I Wanna Be Your Man” e “All My Loving” (do disco With the Beatles), “She Loves You” (lançada em single em 23 de agosto de 1963) e “Ringo’s Theme” (versão instrumental de “This Boy”, lançada somente na versão americana de A Hard Day’s Night).

O LP foi lançado acompanhando o filme homônimo, em 10 de julho de 1964; permanecendo por 21 semanas no topo das paradas. Só saiu de lá para dar lugar ao álbum seguinte dos Beatles.

Nos Estados Unidos, o disco foi lançado somente com as canções do lado A, além das versões instrumentais que fizeram parte da trilha do filme. A edição americana trás a capa vermelha, com a nota: “Original Motion Picture Sound Track”. A edição lançada no Brasil se chamou “Os reis do Ié, Ié, Ié” e as canções eram as mesmas do disco britânico.

A Hard Day’s Night, que vendeu 1 milhão de cópias nos Estados Unidos em apenas 4 dias,  representa o auge da carreira dos 4 rapazes que, com pouco mais de um ano desde o lançamento do primeiro disco, conseguiram a inédita marca de 5 canções nos primeiros lugares das paradas de sucesso: 1º. “Can’t buy me love”, 2º. “Twist and shout”, 3º. “She loves you”, 4º. “I want to hold your hand” e 5º. “Please please me”.

Ainda hoje, o disco é considerado um dos melhores álbuns de rock, devido ao número de hits que há nele. Além disso, A Hard Day’s Night mostra os Beatles numa fase de intensa criatividade, experimentando novos recursos de estúdio e produzindo arranjos mais elaborados.

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- With The Beatles

- Please Please Me

Por Edcarlos da Silva

With the Beatles: Conquista definitiva da Inglaterra e início da Beatlemania

Apenas oito meses após o lançamento de Please Please Me, chegava às lojas da Inglaterra o novo álbum dos Beatles.

Lançado em 22 de novembro de 1963, With the Beatles apresentava as mesmas características do disco anterior, alternando as composições próprias com covers que a banda já tocava em seus shows. O grande diferencial do 2º disco está no entrosamento da banda em estúdio.

Mesmo com o grande sucesso que o 1º álbum fazia na Inglaterra, os Beatles ainda se apresentavam como banda de apoio, abrindo os shows para outros artistas, como Roy Orbison e Helen Shapiro; mas até o final da turnê, a banda já era a principal atração da noite, se apresentando também em vários programas de TV. Todo esse sucesso fez com que a gravadora permitisse um tempo maior para a produção do novo disco, possibilitando o uso de novos recursos e técnicas de estúdio.

Entre 18 de julho e 23 de outubro de 1963, os Beatles e o produtor George Martin gravaram 7 canções da dupla Lennon & McCartney, 6 covers e 1 canção de George Harrison, sua primeira composição para a banda; totalizando as 14 faixas que entrariam no álbum With the Beatles:

It Won’t Be Long – (Lennon–McCartney)
Gravação: 30 de julho de 1963

Pop-rock com influências de rhythm & blues, composto por John Lennon. Seria lançado em single, mas decidiram que seria canção certa para abrir o disco. John faz o vocal principal e Paul e George fazem os backing vocals que dão um charme especial à canção.

All I’ve Got To Do – (Lennon-McCatney)
Gravação: 11 de Setembro de 1963

Belíssima balada composta e cantada por John. Ringo inova sua batida e faz um acompanhamento mais marcante, que foi chamado posteriormente de “power-pop”.

All My Loving – (Lennon-McCartney)
Gravação: 30 de julho de 1963

Um rhythm & blues com toques de rockabilly. Composição de Paul, que além de cantá-la, faz uma das linhas de baixo mais marcantes de sua carreira. Foi a canção de maior sucesso do álbum e ainda hoje é um dos maiores hits dos Beatles.

Don’t Bother Me – (Harrison)
Gravação: 12 de Setembro de 1963

George Harrison escreveu a canção no hotel Bournemouth, enquanto a banda estava em turnê e ele se recuperava de um resfriado. George diz que começou a escrever pra praticar e estando doente, tudo que ele queria dizer era “Não me aborreça”. Além dos instrumentos habituais, a gravação ainda contou com um bongô tocado por Ringo e um pandeiro tocado por Paul.

Little Child – (Lennon-McCartney)
Gravação: 12 de Setembro e 03 de Outubro de 1963

O rockabilly de John, que além de fazer o vocal principal e a guitarra-base, também toca harmônica (gaita de boca). Paul toca baixo e piano.

Till There Was You – (Willson)
Gravação: 30 Julho de 1963

O primeiro cover do disco é uma composição de Meredith Willson para o musical “The Music Man”, de 1957. Muito bem interpretada por Paul e com um belíssimo solo de violão de George Harrison.

Please Mister Postman – (Dobbin-Garrett-Garman-Brianbert)
Gravação: 30 de Julho de 1963

John faz o vocal principal nesse cover do grupo “The Marvelettes”. A canção ficou imortalizada na década seguinte, com os “Carpenters”.

Roll Over Beethoven – (Berry)
Gravação: 30 de Julho de 1963

George faz o vocal principal e o poderoso solo de guitarra da canção gravada originalmente em 1956 por seu autor, Chuck Berry.

Hold Me Tight – (Lennon-McCartney)
Gravação: 12 de Setembro de 1963

Rhythm & blues composto por Paul com a ajuda de John. A canção chegou a fazer parte das sessões de gravação de Please Please Me, mas a gravadora perdeu a fita e eles tiveram que grava-la novamente.

You Really Got A Hold On Me – (Robinson)
Gravação: 18 de Julho de 1963

Uma balada com toque de blues. Composta por Willian “Smokey” Robinson e gravada originalmente em 1962 pelo grupo “The Miracles”. A belíssima interpretação, cheia de “feeling”, mostra que a banda também sabia escolher bem os covers que seriam gravados.

I Wanna Be Your Man – (Lennon-McCartney)
Gravação: 11, 12, 30 de Setembro, 03 e 23 de Outubro 1963

A composição foi feita especialmente para os Rolling Stones gravarem e chegou ao primeiro lugar nas paradas. Aqui, Ringo é quem canta.

Devil In Her Heart – (Drapkin)
Gravação: 18 de Julho 1963

George canta a canção composta em 1962 por Richard Drapkin, para o grupo feminino “The Donays”.

Not A Second Time – (Lennon-McCartney)
Gravação: 11 de Setembro 1963

O vocal de John foi dobrado (overdub) e na parte final da música, quando ele canta “Not a second time; no, no, no, no, no, not a second time…” a melodia é igual à parte final de All I’ve got to do. Em meio a tantas canções marcantes, Not a second time ficou praticamente esquecida no disco.

Money – (Bradford-Gordy)
Gravação: 18, 30 de Julho, 30 de Setembro 1963

O cover escolhido para fechar o disco foi um grande sucesso de Barret Strong, em 1960. John Lennon no vocal principal encerra With the Beatles com um puro rock and roll, acompanhado de George Martin no piano.

Na capa do disco, os Beatles pousam em meia-luz para o fotógrafo Robert Freeman; lembrando as fotos tiradas por Astrid Kirchherr (fotógrafa alemã que namorava com Stuart Stucliffe nos tempos de Hamburgo). Esta foto se tornaria muito copiada em todo mundo; inclusive por Roberto Carlos, em seu disco de 1966.

Nenhuma das 14 faixas de With the Beatles foi lançada em single (compacto com uma música de cada lado). Para atender esta exigência, a banda ainda gravou duas canções em 17 de outubro de 1963: “I want to hold your hand” e “This boy”, lançadas em 29 de novembro de 1963. Este single chegaria ao primeiro lugar também nos Estados Unidos, dando início à conquista da América.

With the Beatles permaneceu em primeiro lugar nas paradas por 21 semanas e foi o primeiro disco de rock a superar um milhão de cópias vendidas na Inglaterra.

Após seu lançamento, John Lennon e Paul McCartney são eleitos como melhores compositores de 1963, aumentando o número de vendas e também os compromissos da banda. Era o início do movimento apropriadamente chamado de “Beatlemania”!

Gostou desse? Veja a análise comentada de Please, Please Me

Por Edcarlos da Silva